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A leitura segundo Maria Montessori

Um adulto vai ler um livro para se distrair, uma criança vai ler um livro para se construir

- Joann Sfar


O método Montessori visa a apoiar a criança no seu desenvolvimento pessoal para que tenha autoconfiança e ganhe autonomia. Os pais acompanham o filho para que aprenda livremente por sua conta e ao seu ritmo. A criança é então considerada um actor em sua aprendizagem e construção.


A pedagogia Montessori é baseada em vários princípios como liberdade, autodisciplina, livre escolha da criança, ambiente propício, respeito pelo ritmo da criança ou aprendizagem pela experiência.


Pelo que os livros e os hábitos de leitura devem ser iniciados desde os primeiros meses de vida da criança pois fazem parte do processo de aprendizagem da mesma para iniciar-se à linguagem. Mas atenção pois existem algumas recomendações que iremos ver mais em diante.


Os livros apresentam várias vantagens para as crianças e à diferentes níveis:

  • O facto de os pais consagrarem tempo para ler histórias para os seus filhos vai ajudar a fortalecer a relação pois vai ser um momento prazeroso para ambas as partes (pais e filhos) e de atenção.

  • Por outro lado, os livros são uma fonte rica de vocabulário: o que vai permitir à criança enriquecer o seu, melhorar a escuta, a memória, a pronúncia, mas vai também ajudar a criança a compreender à estrutura gramatical.

Conforme mencionamos anteriormente, o livro tem um papel primordial no desenvolvimento da linguagem nas crianças, mas serve também a estimular os sentidos (olfato, tato, paladar; visão e escuta), a atiçar a curiosidade, perceber e interagir com os outros seres em seu redor.


Mas para que isto resulte, o livro tem de ser adaptado à idade da criança pois senão pode perturbar esse processo. De facto, desde os primeiros meses de vida e até aos 6 anos, a criança está a descobrir o mundo e constrói-se a partir do real.


O cérebro da criança é como uma esponja que absorva tudo que esta em redor, porém ainda não tem a capacidade de distinguir o mundo real do mundo imaginário.


Daí ser da responsabilidade do adulto, durante esse período dos 0 aos 6 anos, garantir que somente lhe é apresentado o que é real. Caso contrário, voltamos a reiterar, o processo de construção da linguagem vai estar perturbado e a noção do mundo que a envolta vai estar errada.


Os livros à privilegiar serão livros que falam da realidade quotidiana.


Pelo que tudo o que são contos de fada, mitologias, histórias com animais personificados, como lobos, monstros, bruxas e etc... devem ser evitados até ao final deste período que são os 6 anos. Somente após os 6 anos, uma vez que a imagem do mundo tiver sido construída é que poderão ser oferecidos à criança para que possa enriquecer o seu imaginário.


Quando nascem, a criança apenas enxerga o que está num raio de 30cm. A sua capacidade em ver os detalhes é muito baixa porém pode distinguir nuances de brilho e tonalidade bem como formas e movimentos.


Por volta dos 3 meses, a criança comece a distinguir as cores de base que são o vermelho e o verde e pode por volta dos 4 meses, distinguir as mesmas cores que um adulto.


Nos primeiros meses de vida da criança, pode-se oferecer livros com belas ilustrações relacionados com a história. Livros em tecido, mousse ou plástico devem ser sob supervisão de um adulto pois a criança vai tentar levar o livro à boca, por fazer parte do processo de aprendizagem deles. Ora, o que a criança tem de associar desde cedo é que os livros devem ser respeitados.


A partir dos 9 meses, ensine ao seu filho como segurar um livro, como virar as páginas e como arrumá-lo sem estragá-lo. Antes dos 9 meses, acompanhe a criança durante as suas leituras e descobertas para que que ele aprenda como usar os livros sem os estragar.


O que reter ?

1. Criar hábitos de leitura desde os primeiros meses de vida;

2. Apenas oferecer livros adequados à idade da criança para não perturbar o processo de aprendizagem;

3. Evitar livros com seres irreais até aos 6 anos a fim de não confundir a criança entre o mundo real e o mundo imaginário;

4. Não estimular em demasia a criança;

5. Deixar a criança aprender por si própria;

6. Ensinar desde cedo à respeitar os livros.

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